sábado, 28 de janeiro de 2012

OPINIÃO DO MAGNO

Partes do maciço e resistente piso  que existia no antigo calçadão,arrancadas pelas máquinas e lançadas no depósito de lixo da cidade

Uma comprovação de que estas partes pertenciam ao antigo calçadão é o DESENHO,perfeitamente reconhecível

Aqui vemos partes maiores e menores em meio ao lixo


Dia desses,passando pelo calçadão,uma grande tristeza se abateu sobre mim.Senti um vazio na alma e no coração,pela falta dos meus amigos aposentados,que eu sempre encontrava para um bate-papo sadio,repleto de boas recordações e comentários sobre os assuntos do momento.
Desde o primeiro momento em que soube do detalhe de que no projeto do novo calçadão não constava a existência de BANCOS para as pessoas se sentarem,para o costumeiro papo com os amigos,senti uma grande revolta : e aquelas senhoras que ali gostavam de ficar,observando as crianças brincarem? E os alunos do curso pre-vestibular que ali funciona?E os aposentados? Para onde irão?Mas esse vazio na alma e no coração eu só fui sentir mesmo na última vez que por ali passei e tive essa sensação desagradável e triste.Parecia um deserto,tamanha a amplitude do espaço vago onde antes as pessoas podiam se sentar para uma conversa com amigos.
Uma tragédia que assisti na Rua Coronel José Dutra,onde nasci e residi por vários anos,na casa que existia nos fundos da farmácia de meu pai,quando ainda não existia o calçadão,aconteceu na pavorosa enchente de 1960,pois a rua principal de nossa cidade se transformou num caudaloso rio,cuja correnteza levava de roldão toras de madeira,arrastadas do depósito do Sr.Agnaldo Furtado,além de animais mortos e toda a espécie de materiais.Chegou a causar pânico em minha família,pois a água ameaçava invadir a farmácia e a nossa casa também.
E agora tenho que enfrentar mais uma tragédia,que foi esta obra desnecessária e cara, transformando um local de encontro de amigos num verdadeiro deserto,quando não precisava ter sido assim.Uma obra que poderia ter se limitado a revitalizar o local,com reforma dos bancos,mudança no esquema das jardineiras,da iluminação.Não como foi, na base do " comigo é oito ou oitocentos" e do  " eu tenho a força e o poder " .
Além disso, a placa comemorativa afixada no local,cujo descerramento se deu no dia da inauguração festiva,com grande foguetório,não condiz com a realidade, pois nela está escrito : " Não é preciso entrar para história para fazer um mundo melhor " .Sobre esses dizeres eu pergunto : privar os habitantes de um lugar aprazível para se sentarem e dialogarem com os amigos sobre os assuntos do dia a dia, estreitando ainda mais os laços de amizade e tornando a existência mais amena,estaria fazendo um mundo melhor? E mais um detalhe : o erro de Português existente na frase inscrita na placa não é meu,mas dos responsáveis pela sua confecção.
(Texto publicado no Jornal SJN, 7ª edição, janeiro de 2012)

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