sexta-feira, 17 de junho de 2011

A CIDADE DO MEU DESEJO

A cidade do meu desejo será aquela onde se tenha direito ao trabalho e seja possível realizar o encontro e caminhar pelas calçadas amplas,mãos dadas com o companheiro (a) sem tropeçar em obstáculos e sem medo de assalto.
Na cidade do meu desejo não haverá aberrações arquitetônicas antimendigos e antiladrão,abomináveis invenções a substituir a invenção maior que é a de melhorar o homem,e quando necessário aplicar-lhe penas que o possam recuperar e  devolvê-lo mais humano ao seio da comunidade.
Na cidade do meu desejo haverá transporte coletivo abundante para todos e o automóvel será um objeto quase obsoleto,não terá prioridades,obedecerá rigorosamente os códigos estabelecidos e não será usado como arma nem símbolo de poder.
Na cidade do meu desejo ,não haverá confinamento e os logradouros públicos serão realmente públicos,sem grades nem cancelas.Os parques serão parques e não prisões com vigias eletrônicos ou iluminação feérica - simulacro de centros de compras.
Na cidade do meu desejo,os cidadãos não precisarão cumprir os seus deveres apenas quando se souberem vigiados,mas saberão cumpri-los porque os mesmos já estarão incorporados aos seus hábitos éticos e culturais.
A  cidade do meu desejo será aquela onde todos possam facilmente (re) conhecer os marcos de sua história,contados e recontados através de seus poetas e artistas.
Na cidade do meu desejo haverá placas indicativas nas casas onde nasceram ou residiram pessoas  que melhor contribuiram para a sua melhoria,forma de recordá-las como marcos culturais do lugar.
A cidade do meu desejo,deverá estabelecer políticas públicas que propiciem o envolvimento dos cidadãos,criando pontos de contato entre suas culturas distintas,celebração de tolerâncias e diferenças.
A cidade de meu desejo deverá eleger homens probos para administrá-la e legislá-la,que saibam distinguir a diferença entre ser eleito para um cargo público e apoderar-se dele como dono,valendo-se disso para benefício próprio e de apadrinhados.
A cidade só será construída quando seus habitantes estiverem conscientes de que uma cidade é feita de cidadãos e não apenas de governantes,cabendo a cada um fazer a sua parte na coletividade.O futuro,é preciso lembrar,é hoje e precisa começar a ser construído.(A autora deste texto,Dalila Teles Veras,é natural do Funchal (Madeira - Portugal),nasceu em 1946 e desde 1957 está radicada no Brasil).

Um comentário:

  1. Muito bacana este texto e acho que a reflexão vale para todos cidadãos que buscam vidas mais dignas e futuros melhores para seus filhos.

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